Quatro rodas
Mistérios das corridas de automóveis
De entre as várias definições da palavra
arqueologia, o "estudo sistemático dos restos materiais da vida
humana já desaparecida", talvez seja a definição que mais se
aproxima do que é comumente entendido. Como podem constatar, hoje
estou virado para um assunto do antigamente. Só que o assunto não é
assim tão antigo. Por isso tentei ver se o poderia enquadrar, numa
nova evolução da arqueologia, a chamada arqueologia industrial. Fui
procurar de novo uma definição, agora para esta variante. Encontrei
rapidamente uma definição que me satisfez, desta feita num site
espanhol. Para que não haja imprecisões na tradução, deixo o texto
na língua de Cervantes: "es una de las ramas más recientes de la
arqueología, la cual se dedica al estudio de los sitios, métodos y
maquinaria utilizada en el proceso industrial, especialmente
durante y tras la revolución industrial, así como las formas de
comportamiento social y hábitat derivadas de dicho proceso".
Pois, não é bem de revolução
industrial de que vou escrever, mas dos restos civilizacionais
daquilo que foi o circuito urbano de fórmula 1 em Valência. Sempre
estranhei, porque é que naquela autonomia se gastaram 300 milhões
para ter cinco grande prémios (de 2008 a 2012), quando nos
arredores da terceira cidade espanhola, existe um autódromo bem
equipado para receber qualquer tipo de corridas.
Sabendo desta história lá fui para
a zona portuária buscando indícios do que há 3 anos ali se passou.
Entrei pelo lado da cidade das artes e ciências, e o primeiro sinal
do circuito, foi o avistamento da rede FIA, que delimita as zonas
de segurança. Lá vi que, toda a variante oeste do circuito, ainda
está completa, mas bastante tocada pela deterioração provocada
pelas chuvas de inverno e pelo escaldante sol de verão. Toda esta
zona está selada num terreno quase sem construções onde podemos ver
alguns armazéns e um cemitério. A parte leste do circuito, essa,
foi completamente disfarçada com floreiras e blocos de cimento para
delinear novas ruas. Lá encontrei a ponte, que parece, deixou de o
ser, pois sendo retrátil, não acredito que mais alguma vez tenha
servido para passagem de carros de um lado para o outro da
marina.
Decidi por último, dar um passeio a
pé na zona das partidas e box. Lá, encontrei a "pole position",
testemunhada pela foto onde também se pode ver a linha de meta com
os necessários rasgos no asfalto, para as antenas dos
"transponder".
Enfim, foi uma investigação
interessante, onde não consegui resolver o mistério que levou à
criação desta mega estrutura, que suportou o aparecimento fugaz da
fórmula 1 em Valência. Por lá, parece-me haver alguma vergonha,
nesta situação. Por cá, tivemos em menor escala é certo, um caso
parecido. Talvez com um envolvimento diferente, é no entanto senso
comum, que o ressuscitar do circuito da Boavista, não merecia uma
segunda vida tão curta. Será que, quem não viabilizou a sua
continuidade, já está arrependido? Fica o mistério…à moda do
Porto.