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Director Fundador: João Ruivo Director: João Carrega Ano XXIII Nº271  Setembro 2020
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Motor

Quatro rodas
Mistérios das corridas de automóveis

motor.JPGDe entre as várias definições da palavra arqueologia, o "estudo sistemático dos restos materiais da vida humana já desaparecida", talvez seja a definição que mais se aproxima do que é comumente entendido. Como podem constatar, hoje estou virado para um assunto do antigamente. Só que o assunto não é assim tão antigo. Por isso tentei ver se o poderia enquadrar, numa nova evolução da arqueologia, a chamada arqueologia industrial. Fui procurar de novo uma definição, agora para esta variante. Encontrei rapidamente uma definição que me satisfez, desta feita num site espanhol. Para que não haja imprecisões na tradução, deixo o texto na língua de Cervantes: "es una de las ramas más recientes de la arqueología, la cual se dedica al estudio de los sitios, métodos y maquinaria utilizada en el proceso industrial, especialmente durante y tras la revolución industrial, así como las formas de comportamiento social y hábitat derivadas de dicho proceso".

Pois, não é bem de revolução industrial de que vou escrever, mas dos restos civilizacionais daquilo que foi o circuito urbano de fórmula 1 em Valência. Sempre estranhei, porque é que naquela autonomia se gastaram 300 milhões para ter cinco grande prémios (de 2008 a 2012), quando nos arredores da terceira cidade espanhola, existe um autódromo bem equipado para receber qualquer tipo de corridas.

Sabendo desta história lá fui para a zona portuária buscando indícios do que há 3 anos ali se passou. Entrei pelo lado da cidade das artes e ciências, e o primeiro sinal do circuito, foi o avistamento da rede FIA, que delimita as zonas de segurança. Lá vi que, toda a variante oeste do circuito, ainda está completa, mas bastante tocada pela deterioração provocada pelas chuvas de inverno e pelo escaldante sol de verão. Toda esta zona está selada num terreno quase sem construções onde podemos ver alguns armazéns e um cemitério. A parte leste do circuito, essa, foi completamente disfarçada com floreiras e blocos de cimento para delinear novas ruas. Lá encontrei a ponte, que parece, deixou de o ser, pois sendo retrátil, não acredito que mais alguma vez tenha servido para passagem de carros de um lado para o outro da marina.

Decidi por último, dar um passeio a pé na zona das partidas e box. Lá, encontrei a "pole position", testemunhada pela foto onde também se pode ver a linha de meta com os necessários rasgos no asfalto, para as antenas dos "transponder".

Enfim, foi uma investigação interessante, onde não consegui resolver o mistério que levou à criação desta mega estrutura, que suportou o aparecimento fugaz da fórmula 1 em Valência. Por lá, parece-me haver alguma vergonha, nesta situação. Por cá, tivemos em menor escala é certo, um caso parecido. Talvez com um envolvimento diferente, é no entanto senso comum, que o ressuscitar do circuito da Boavista, não merecia uma segunda vida tão curta. Será que, quem não viabilizou a sua continuidade, já está arrependido? Fica o mistério…à moda do Porto.

Paulo Almeida
 
 
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